Mário Gruber recebe título de Cidadão Emérito

Iniciativa é do vereador Reinaldo Martins

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Um santista que é do mundo. Assim é Mário Gruber, artista plástico que na sexta-feira dia 30/11/07, recebeu da Câmara Municipal de Santos o título de Cidadão Emérito, na sala Princesa Isabel. A homenagem foi uma iniciativa do vereador Reinaldo Martins, que ao proferir o discurso de saudação ficou emocionado. “É pouco, perto do que este grande artista já produziu, mas uma obrigação desta cidade em reverenciar o trabalho e uma carreira de imenso valor”, disse Reinaldo.

O vereador lembrou que o Outeiro de Santa Catarina, sede da Fundação Arquivo e Memória de Santos, abriga mural do artista, produzido a pedido do então prefeito David Capistrano. Uma bela marca na região onde Gruber ensaiou seus primeiros trabalhos.

Perto dali, Gruber e Nelson Penteado de Andrade se instalaram no passado em um pitoresco ateliê na beira do cais, em frente da Casa do Trem. Mario Gruber Correia nasceu em Santos SP, no ano de 1927. Autodidata em pintura, iniciou seus trabalhos em 1943 e, três anos depois, em São Paulo, começou a estudar com o escultor Nicola Rollo na Escola de Belas Artes de São Paulo. Foi nesse período que Gruber passou a pintar em praça pública e a trabalhar com Di Cavalcanti.

Seu talento chamou a atenção de muitos e lhe valeu uma bolsa de estudos do governo francês em 1949, onde estudou na École Nationale Supérieure des Beaux-Arts com Édouard Goerg.

Ao retornar para o Brasil, fundou o Clube de Arte de Santos e a União dos Artistas Plásticos de São Paulo. Mário Gruber sempre esteve aberto a novas descobertas. Travou contato em Santiago do Chile com o muralista Diego Rivera, para aprender novas técnicas da pintura mural, e, no final da década de 70, montou ateliê em Nova York, dividindo suas atividades entre esta cidade, Paris e São Paulo.
Portanto, não foi à toa que virou tema do curta-metragem de Nelson Pereira dos Santos, em 1982.

Mário Gruber vem de uma geração que persistiu no trabalho artístico, sinônimo na época de vida dura. Boa parte dos jovens que se iniciavam no mundo da arte desistia por não ver frutos financeiros. Em entrevista concedida há dois anos na Unicamp, Gruber lembrou desse período: “Na minha época o trabalho artístico era uma vida de pobreza, ainda mais para nós jovens. Alguns saíam para a publicidade, outros persistiam. Mario de Andrade, em trabalho que ficou inédito até pouco tempo, disse que a escola paulista teve origem proletária. Volpi, Rebolo, Manuel Martins, Carnicelli vinham da classe trabalhadora; só depois a arte se abriu para os Jardins e a burguesia industrial paulista.

No grupo que denominou de “artistas proletários”, Mario de Andrade lembrava que Volpi, Rebolo e Zanini, por exemplo, eram pintores de parede; Rizzotti, torneiro; Bonadei, bordador; Pennacchi, açougueiro; Manuel Martins, aprendiz de ourives. Mário Gruber não pára de fazer arte. Anualmente, chega a produzir entre 100 e 120 quadros. Calcula-se que o total de obras na carreira chegue a 12 mil, incluindo gravuras. Ele garante que vive da pintura porque nunca teve talento para guardar dinheiro.

Mário Gruber se emociona

"Quero agradecer imensamente esta honraria e não sei se a mereço. Amo muito esta cidade, vocês nem sabem quanto, e quero voltar para cá, arrumar um ateliê, quem sabe?".
Bastante emocionado, assim o artista Mário Gruber agradeceu o título de Cidadão Emérito, entregue pela Câmara Municipal de Santos na última sexta-feira, dia 30 de novembro, pelas mãos do vereador Reinaldo Martins.

Numa noite de muitas recordações, o artista, que é uma referência internacional, lembrou das caminhadas na praia com o amigo Gilberto Mendes, ainda dois adolescentes; do professor de desenho Paulo Siqueira; dos amigos Nelson de Narciso de Andrade.
Tenho a honra de ser o portador dessa homenagem, expressão dos anseios dos artistas e trabalhadores da Cultura de Santos, disse Reinaldo, ressaltando o primeiro contato que teve com Gruber, em 1996, quando dirigia o Centro da Memória (hoje Fundação Arquivo e Memória de Santos).

PAINEL NO OUTEIRO
Em 1996, dentro da programação comemorativa dos 450 anos da cidade de Santos, a Prefeitura instalou, na praça lateral do Outeiro, um painel criado pelo artista plástico santista Mário Gruber. Em grés, preto e branco e ocupando uma área de 48 metros de extensão e 4,8 metros de altura, a obra foi feita artesanalmente com 1452 azulejos decorados apresentando rostos estilizados de variados tamanhos.

O nome do mural é dedicado ao escritor, dramaturgo e poeta Clay Gama de Carvalho, que se tornou anônimo porque a ditadura apreendeu o manuscrito da sua obra “Literatura Americana no Exílio”.

Como forma de homenageá-lo, Gruber utilizou uma simbologia pretendendo duas leituras do painel: no geral, visto de longe, o trabalho parece abstrato, mas, à medida que as pessoas se aproximam e o observam mais de perto, reconhecem os rostos e percebem que é composto por figuras humanas. Isto significa, segundo o artista, a descoberta de alguém conhecido dentro de uma multidão anônima, a denúncia do personagem desconhecido. E é aí que está a homenagem a Clay Gama de Carvalho.

Assessoria de Imprensa
Gabinete: Vereador Reinaldo Martins (PT)