Santos tem cerca de 50 pacientes à espera de internação nas três Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) do Município, dos quais 40% são de outras cidades.
Os dados foram apresentados pelo secretário municipal de Saúde, Fábio Lopez, durante audiência pública realizada na Câmara Municipal nesta segunda-feira (26), para prestação de contas dos contratos com Organizações Sociais (OSs) referentes ao segundo quadrimestre de 2026. Segundo o secretário, "a Baixada Santista enfrenta um déficit superior a 1.700 leitos hospitalares".
O vereador Benedito Furtado (PSB), presidente da Comissão de Finanças e Orçamento (CFO), questionou a demora para conseguir internações, exames e sessões de fisioterapia, além das dificuldades de acesso às consultas nas policlínicas. "Internação hoje é o calcanhar de Aquiles", afirmou Furtado, que relatou receber diariamente pedidos de ajuda de moradores com dificuldades no atendimento público de saúde.
Em resposta, Lopez destacou que "o enfrentamento do problema depende tanto da ampliação dos leitos hospitalares quanto do fortalecimento da atenção primária". A estratégia inclui ações de prevenção, acompanhamento das famílias e ampliação das equipes de agentes comunitários de saúde.
Ampliação da rede
Entre as medidas mencionadas estão os pedidos de habilitação de dez leitos de UTI na Santa Casa de Santos e de outros sete no Complexo Hospitalar dos Estivadores. As solicitações dependem de análise dos órgãos responsáveis.
O secretário também citou a construção do hospital pediátrico na Zona Noroeste, com capacidade prevista para atender 30 crianças, e a entrega das policlínicas da Vila Gilda e do Morro do Pacheco. Outra medida prevista é a transferência da unidade da Vila Progresso para um espaço maior e a entrega do Centro de Especialidades Odontológicas.
Apesar das iniciativas, Lopez reconheceu que as novas estruturas não serão suficientes, isoladamente, para resolver o déficit regional. A falta de leitos também afeta o agendamento de procedimentos que exigem internação, como determinadas colonoscopias e cirurgias de catarata.
A audiência abordou ainda o financiamento do Complexo Hospitalar dos Estivadores. Segundo o Secretário, após o encerramento do convênio com o Governo do Estado, o município passou a responder pela maior parte do custeio da unidade.