O elevado índice de absenteísmo, ou seja, o não comparecimento de pacientes a consultas agendadas, é um dos grandes problemas das unidades de saúde de Santos, segundo o secretário municipal de Saúde, Fábio Lopez.
Em audiência pública da Comissão de Finanças e Orçamento (CFO) da Câmara nesta segunda-feira, 22 de junho, o secretário defendeu a realização de campanhas de conscientização e o apoio da imprensa para mitigar o desperdício de recursos gerado pelo não comparecimento. Lopez afirmou que o combate ao absenteísmo é importante para a administração municipal "gastar menos com equipamentos onde as pessoas estão faltando e gastar mais com a atenção primária e a alta complexidade, que é muito mais caro".
A unidade em que o absenteísmo mais chama a atenção é a Clínica Escola do Autista, onde a triagem de novos usuários registrou 74 atendimentos nos primeiros quatro meses do ano. No mesmo período, outras 70 pessoas deixaram de comparecer ao serviço. "O que observamos ali infelizmente é replicado, talvez não na mesma proporção, nas unidades publicizadas que fazem atendimento sob agendamento e também nas nossas unidades de saúde, seja na atenção primária, seja no Ambesp", disse o secretário.
Em abril, a Clínica recebeu o Prêmio OPAS "Municípios que Cuidam", concedido pela Organização Pan-Americana da Saúde em reconhecimento ao modelo inovador de política pública para o autismo no SUS.
Demanda regional
A audiência teve como objetivo a prestação de contas das organizações sociais (OS) responsáveis pela gestão de unidades municipais de saúde, referente ao 1º quadrimestre de 2026. Foram detalhados dados financeiros, metas cumpridas e indicadores de atendimento das principais unidades sob gestão das OS no município, incluindo as UPAs, o Ambesp e o Hospital dos Estivadores. De forma geral, os relatórios apontaram altos índices de aprovação popular e cumprimento de metas estipuladas pelo Ministério da Saúde.
Na UPA Zona Leste, o período foi marcado pela transição do contrato de gestão para uma nova organização social no fim de março. A unidade destaca-se como a primeira UPA da Baixada Santista certificada pela Organização Nacional de Acreditação (ONA).
O relatório sobre a UPA Zona Noroeste evidenciou o forte caráter regional da unidade, que absorve uma demanda expressiva de cidades vizinhas (como São Vicente, que representou mais de 26% dos atendimentos).
Expansão da pediatria
Provocado pelo conselheiro tutelar Jonathan Gomes sobre as filas de espera na Clínica Escola e a adequação do espaço físico para a pediatria nas UPAs, Fábio Lopez anunciou medidas de expansão desses atendimentos.
Segundo o secretário, está em vias de implementação a parceria com uma universidade local para adicionar 200 vagas e dobrar a capacidade de atendimento da Clínica. Ele confirmou ainda o projeto para a construção de uma nova Clínica Escola na Zona Noroeste, com capacidade para 600 pessoas. A Prefeitura também negocia a ocupação de um dos andares da Fundação Lusíada para ampliar a ala pediátrica da UPA Central.
A audiência foi conduzida pelo presidente da CFO, vereador Benedito Furtado (PSB) e, além do secretário de Saúde, a mesa foi composta pelo vice-presidente do Conselho Municipal de Saúde de Santos (CMSS), Silas da Silva, e pela diretora da UPA Zona Noroeste, Vanessa Vargas, representando as organizações sociais.
Assista à íntegra da Audiência.