Após um ano desafiador em 2024, a carteira de investimentos do Instituto de Previdência Social dos Servidores Públicos Municipais (Iprev Santos) registrou forte valorização em 2025, atingindo rentabilidade de 14,45% e superando a meta atuarial estipulada em 9,84%, com ganho real de cerca de 10% acima do IPCA.
Os números foram apresentados pelo presidente do Instituto, Fremar Pereira, em audiência pública da Comissão de Finanças e Orçamento (CFO) da Câmara na quarta-feira, 16 de setembro. O presidente da Comissão, vereador Benedito Furtado (PSB), conduziu a audiência.
Neste ano, o rendimento da carteira do Iprev alcançava 7,24% até julho, mantendo-se acima da meta projetada. Os recursos estão aplicados majoritariamente em títulos de renda fixa, do Tesouro Nacional, e uma parcela de cerca de 13% em renda variável.
O presidente destacou também o crescimento patrimonial do Instituto: a carteira do fundo de previdência saltou de R$ 1,7 bilhão em 2022 para R$ 2,9 bilhões ao final de 2025. Dados de julho de 2026 indicam que o patrimônio atingiu a marca de R$ 3,175 bilhões.
O ano de 2025 encerrou com 7.274 benefícios concedidos para um universo de 11.801 servidores ativos — uma proporção de 61,6 inativos para cada 100 ativos. Até agosto de 2026, esse número subiu levemente para 7.321 benefícios frente a 11.808 ativos (relação de 61,9%). “Essa proporção é interessante para a manutenção e a estabilidade financeira do Instituto”, disse Fremar.
“Estamos numa situação intermediária, mas muito melhor do que outros municípios”, afirmou, citando o exemplo de Cubatão, onde a proporção entre inativos e ativos é de 71%.
“Compra de vidas”
Ao apresentar o balanço atuarial do Iprev, Fremar fez distinção entre três grupos. Numa projeção para 35 anos, os servidores mais antigos, cujos benefícios são custeados pelo Tesouro Municipal, têm déficit estimado em R$ 1,198 bilhão.
O outro grupo deficitário é o do chamado Plano Financeiro, formado pelos servidores que ingressaram até 31 de dezembro de 2009. Esse segmento também demanda aportes mensais do Tesouro e registra déficit atuarial de R$ 6,58 bilhões. O valor corresponde ao total de recursos necessário para pagar o volume de benefícios projetado para daqui a 35 anos.
Já no chamado Plano Previdenciário, composto por servidores que ingressaram a partir de 1º de janeiro de 2010, há um superávit atuarial de R$ 723 milhões, devido à predominância de servidores ativos em fase de acumulação de recursos.
Em fevereiro, o Iprev transferiu 414 aposentados e 173 pensionistas do Plano Financeiro para o Plano Previdenciário. O presidente do Instituto apontou que a manobra, conhecida como “compra de vidas”, reduziu a necessidade de repasses mensais do Tesouro Municipal no Plano Financeiro, de R$ 19 milhões para R$ 16,5 milhões, sem comprometer a saúde financeira do fundo capitalizado. "A tendência ao longo dos anos é diminuir a necessidade de recursos para o Plano Financeiro", explicou.