Servidores municipais lotaram o Auditório Vereadora Zeny de Sá Goulart na sexta-feira, 22 de maio, para defender a urgente reclassificação salarial de diversas carreiras da administração direta. Mais de 30 carreiras foram representadas na audiência pública convocada pela Comissão Especial de Vereadores (CEV) criada para discutir a valorização dos servidores.
Além da questão salarial, a audiência abordou a necessidade de mais concursos públicos, com críticas dos participantes ao avanço das terceirizações e à precarização dos serviços. Os trabalhadores criticaram a ausência de representantes da Prefeitura e contestaram o argumento da "falta de verbas", apontando que a folha de pagamento consome apenas 38,4% da receita corrente líquida do Município, bem abaixo do limite prudencial fixado pela Lei de Responsabilidade Fiscal, que é de 51%.
“A justificativa, toda vez que a gente vai fazer qualquer tipo de mobilização, é que não há condições para dar qualquer tipo de aumento ou reajuste”, disse a vereadora Débora Camilo (Psol), que preside a CEV de valorização dos servidores e que conduziu a audiência. “Santos é uma das prefeituras que pior remunera os servidores dentre os municípios da Baixada Santista”, afirmou.
Reforma administrativa
O servidor Cássio Canhoto, diretor do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Santos (Sindserv), defendeu a realização de “uma ampla reforma administrativa de forma democrática”, semelhante ao processo implementado em 2012.
Já o presidente do Sindicato dos Servidores Estatuários Municipais de Santos (Sindest), Fábio Pimentel, relatou que a entidade acumula mais de 70 processos de reclassificação parados. O líder sindical citou o exemplo de trabalhadores que vivem em "limbos jurídicos e administrativos" há anos, como os antigos funcionários da Demutran, guardas patrimoniais e os agentes de zoonoses.
Ambos os dirigentes ouviram críticas de servidores à divisão histórica entre os dois principais sindicatos do funcionalismo municipal. Membros de coletivos de base exigiram que as diretorias superem as vaidades institucionais para construir uma resistência conjunta.
Na próxima quarta-feira (27), às 17h, os servidores fazem manifestação em frente ao Paço Municipal, na Praça Mauá. O objetivo é exigir uma resposta imediata do prefeito sobre a reclassificação geral e barrar novas tentativas de extinção de cargos públicos.