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Audiência debate gargalos no saneamento e cobra agilidade da Sabesp

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Reclamações sobre falta de água, vazamentos da rede de esgoto e transtornos causados por obras na rede de saneamento marcaram a audiência sobre a atuação da Sabesp, realizada na Câmara de Santos na quarta-feira, 25 de março.

O gerente de manutenção da empresa, André Gonçalves, apresentou detalhes do novo contrato de concessão, vigente desde 2024. Ele informou que a meta da companhia é antecipar a universalização do saneamento para 2029, quatro anos antes do prazo estipulado pelo Marco Legal para todo o país.

Segundo o executivo, o investimento da Sabesp em Santos saltou de R$ 79 para R$ 230 per capita. Gonçalves destacou ainda que a companhia agora tem permissão legal para intervir em áreas antes consideradas "informais", como as palafitas do Dique da Vila Gilda e núcleos da Zona Noroeste. Além disso, de acordo com o gerente da Sabesp, Santos passou a fazer parte de um bloco regional com 371 municípios, o que garante maior robustez financeira para obras estruturantes.

“Vaso sanitário na porta”

Moradores que participaram da audiência, porém, mostraram indignação com os serviços prestados pela companhia. Entre as reclamações, foram apontados o mau cheiro crônico na Avenida Conselheiro Nébias e vazamentos constantes no Marapé e no José Menino.

A proprietária de um restaurante da orla questionou se a rede de esgoto suporta os novos prédios que surgem na região e denunciou o "estado de insalubridade" nas calçadas. "É um vaso sanitário aberto na nossa porta", comparou. Outro morador criticou a falta de conclusão das obras de drenagem na Zona Noroeste e o transbordamento de esgoto no Saboó durante períodos de chuva.

Outros participantes reclamaram da falta de água em condomínios de grande porte durante a temporada e exigiram que os moradores sejam ressarcidos dos gastos com caminhões-pipa.

Multas e notificações

O secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, Fabrício Cardoso, disse que a Prefeitura intensificou a fiscalização das obras da Sabesp por meio da Comissão Municipal de Serviços Públicos (Comserp). De acordo com o secretário, embora a privatização tenha trazido mais recursos à companhia, a execução das obras por empresas terceirizadas deixa a desejar.

Os representantes da Sabesp admitiram que empreiteiras já foram multadas pela própria concessionária e disseram que a companhia está notificando as responsáveis pelos atrasos das obras e pela má qualidade no acabamento das calçadas e do asfalto. Eles observaram ainda que o solo de Santos dificulta e encarece as obras, devido à elevação do lençol freático.

O uso inadequado da rede de esgoto e o vandalismo também prejudicam a atuação da empresa, segundo o gerente da Sabesp. “Em 2025, realizamos mais de 14 mil desobstruções [da rede de esgoto], sendo 95% causadas por lixo”, disse André Gonçalves. Nas estações elevatórias da Zona Noroeste, o bombeamento tem sido interrompido por furtos de fiação.

O vereador Sérgio Santana (PL), que convocou e presidiu a audiência, informou que as reclamações apresentadas serão encaminhadas à Sabesp na forma de requerimentos oficiais. Ele também anunciou que fará reuniões em seu gabinete para tratar de cobranças abusivas e de hidrômetros digitais com suspeita de irregularidade. "A Sabesp tem mais dinheiro hoje do que no passado, então a nossa cobrança será proporcional a essa capacidade financeira”, declarou. “Não aceitaremos obras que começam e não terminam", concluiu.

 

Assista à íntegra da Audiência.

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