O uso de ciência e tecnologia para monitorar áreas de risco, antecipar eventos extremos e prevenir desastres em Santos foi debatido na quarta-feira, 23 de setembro, em audiência pública da Comissão Especial de Vereadores (CEV) criada para discutir o assunto.
Representantes da Prefeitura apresentaram ferramentas de monitoramento de riscos e destacaram parcerias com instituições de pesquisa e universidades.
Segundo o coordenador da Defesa Civil de Santos, Daniel Onias, o município utiliza dois drones de última geração em vistorias de áreas de difícil acesso, como encostas e costões rochosos, e nas ocorrências de incêndio. Dados de radares meteorológicos e de estações de monitoramento são utilizados na previsão de eventos e na emissão de alertas.
Para a previsão de ressacas e outros eventos oceânicos, a Prefeitura mantém parceria com a Universidade Santa Cecília. As equipes técnicas também usam inteligência artificial e machine learning, entre outras tecnologias.
Áreas de risco
O Plano Municipal de Redução de Risco (PMRR), elaborado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), foi apresentado como instrumento para o mapeamento e a classificação das áreas de risco nos morros.
Nesses locais foram instaladas sete estações geotécnicas equipadas com pluviômetros e sensores, capazes de medir a infiltração de água no solo numa profundidade de até 3 metros. Os dados são encaminhados ao Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), em São José dos Campos.
A comunicação com os moradores dessas áreas é realizada por meio de alertas via SMS, Cell Broadcast (sistema de envio de mensagens para os celulares em situações severas e iminentes) e por visitas preventivas, nas quais os moradores são orientados sobre os sinais de risco e cadastrados para o recebimento dos alertas.
Na Vila Progresso, como experiência-piloto, foi instalada uma sirene e a Defesa Civil realizou exercícios com a população para definir os locais de retirada em caso de acionamento.
A estimativa é que cerca de 50 famílias estejam em situação de risco muito alto nos morros, demandando remoções preventivas e acolhimento em abrigos durante os períodos de fortes chuvas.
Neste ano, a Prefeitura antecipou em um mês a entrada em vigor do Plano Preventivo de Defesa Civil (PPDC), com ações previstas para o período de 1º de novembro a 30 de abril de 2027. O objetivo é prevenir o impacto do El Niño, fenômeno meteorológico que deve causar chuvas intensas, ondas de calor e períodos prolongados de estiagem.
Drenagem e pavimentação
As condições da drenagem e da pavimentação da cidade também foram discutidas na audiência. Lembrando que Santos é a cidade mais verticalizada do país e com extensa impermeabilização do solo, o secretário de Meio Ambiente, Glaucus Farinelllo, defendeu a adoção de "soluções de infraestrutura verde e soluções da natureza". "Precisamos redesenhar a via pública; não dá mais para ter apenas calçada, guia e asfalto", afirmou.
Marco Aurélio Neves da Silva, gestor dos Serviços Integrados de Limpeza Urbana, da Secretaria de Governo (Segov), apontou que o sistema de drenagem de Santos não acompanhou o crescimento da cidade e precisa ser remodelado. Ele mencionou ainda problemas provocados pelo lançamento de concreto na rede de drenagem e por ligações clandestinas de esgoto.
Em relação à pavimentação, o diretor de Operações da Progresso e Desenvolvimento de Santos S/A (Prodesan), Vinicius Alves, explicou que a demanda por reparos aumenta no período chuvoso, justamente quando é mais difícil a aplicação da massa asfáltica.
Ele informou, porém, que a Prefeitura mapeou as áreas prioritárias e prevê a realização gradual das intervenções. Entre os projetos citados está a reforma da pavimentação da avenida da praia, com obras de drenagem e outras melhorias.
O secretário municipal de Infraestrutura, Wagner Ramos, acrescentou que a substituição de antigos coletores de esgoto %u2013 alguns com cerca de 120 anos %u2013 poderá exigir interdições temporárias de vias, a exemplo de obras recentes nos canais 2 e 3. Segundo o secretário, a Prefeitura vai exigir que a Sabesp se encarregue também da recuperação de todo o pavimento dos trechos onde houver intervenção.
A audiência foi conduzida pelo presidente da CEV, vereador Rafael Pasquarelli (União), e contou com a participação dos vereadores Fabrício Cardoso (Podemos) e Allison Sales (PL).