A implantação de uma pista exclusiva para corrida e mobilidade assistida no jardim da orla foi tema de audiência pública na Câmara de Santos na segunda-feira, 27 de abril, com a participação de autoridades, urbanistas e a comunidade esportiva.
O debate destacou que, apesar de ser uma cidade plana e vocacionada ao esporte, Santos carece de um espaço seguro para o treinamento de alto rendimento e para o trânsito de pessoas com deficiência.
O secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano, Glaucus Farinello, apresentou três propostas para a criação da pista. Uma das alternativas, a remoção do estacionamento, é criticada por dificultar o desembarque dos passageiros de ônibus e prejudicar os moradores de prédios antigos que não possuem garagem.
Outra opção seria a implantação de uma terceira faixa na pista atual, reduzindo parte do gramado. Essa possibilidade enfrenta barreiras burocráticas, já que o jardim é tombado pelo patrimônio histórico (Condephaat). A prefeitura propõe compensar a área verde em trechos ociosos da praia.
Segundo o secretário, a solução com maior viabilidade técnica é o redesenho do calçadão, com a preservação do mosaico português em uma faixa e a aplicação de concreto nivelado em outra, de forma a garantir acessibilidade para cadeirantes e um piso regular para corredores. O presidente da Comissão de Esporte, Turismo e Lazer, vereador Paulo Miyasiro (Republicanos), que conduziu a audiência, observou que entre o Canal 3 e o Emissário há espaço para nivelar o piso da ciclovia sem reduzir o jardim.
Carros x pedestres
"Não faz sentido privilegiar carros em detrimento das pessoas em uma cidade plana", afirmou o vereador Marcos Caseiro (PT), ao defender a remoção do estacionamento. "É a solução com menos implicações de patrimônio histórico", apontou.
"Governar é fazer escolhas. Ou escolhemos carro, ou escolhemos gente", acrescentou o ex-vereador e veterano de corridas Evaldo Stanislau. Ele alertou para o risco de atropelamentos, já que hoje os corredores se dividem entre calçadas obstruídas e a sarjeta, próximos aos ônibus.
Outro ponto crítico levantado foi a invasão de motos elétricas e ciclomotores nas ciclovias, colocando em risco pedestres e atletas. Representantes da comunidade de deficientes visuais e auditivos também ressaltaram que raízes de árvores e desníveis no calçadão atual são obstáculos diários.
Atletas e treinadores sugeriram a mudança dos pontos de ônibus, a criação de polos de treinamento na região da Perimetral e na Zona Noroeste e o uso das trilhas internas do jardim, hoje subutilizadas, para a prática esportiva.
Legado
"Quando fizemos a ciclovia, fomos muito combatidos por questões políticas", lembrou o arquiteto Carlos Prates. "Projetos públicos devem ser voltados para as pessoas. Não dá para simplesmente tirar o carro, mas precisamos de alternativas `pé no chão´ feitas por urbanistas que `quebrem a cabeça´ em cada esquina.
O presidente do Conselho Municipal de Esportes (Comesp) e secretário de Esportes em exercício, Marcelo Casati, informou que levará a discussão ao Conselho.
O vereador Paulo Miyasiro, por sua vez, anunciou que as propostas da audiência serão formalizadas em ata técnica e que uma comissão se encarregará de pressionar o Executivo por uma solução rápida. "Queremos agilizar as aprovações para deixar como legado uma cidade que respira esporte e inclusão", disse o vereador.
A mesa de debates da audiência contou também com a diretora de planejamento e projetos da CET-Santos, Luciane Beck, e com o professor da Seção de Esportes Adaptados da Secretaria Municipal de Esportes, Eduardo Leonel.
Assista à íntegra da Audiência.