
Em reunião pública, realizada na noite do dia 31/08 no Plenário Ulysses Guimarães, na Câmara Municipal, com o objetivo de elucidar várias questões acerca do desabamento do reservatório d\'água do Conjunto Habitacional Vila Pelé II, ocorrido em 1° de abril, o presidente da COHAB Santista, Hélio Vieira Júnior não esclareceu alguns aspectos considerados obscuros e que cercam o episódio.
A reunião foi proposta pela Vereadora Cassandra Maroni Nunes (PT), que preside a Comissão de Habitação da Câmara e vem investigando o desabamento desde sua ocorrência. Desde então, várias reuniões da Comissão já foram realizadas e farta documentação analisada, mas alguns pontos importantes não foram esclarecidos pela COHAB, conforme a vereadora.
Visando esclarecer maior esclarecimento, os vereadores Cassandra e Adilson Júnior, da bancada do PT, apresentaram uma série de questões que segundo a vereadora, muitas delas respondidas de forma insuficiente, pelo presidente da Cohab.
Além dos parlamentares, moradores da Zona Noroeste cobraram esclarecimentos sobre a queda da caixa d´agua e manifestaram sua indignação com o atraso na entrega das unidades habitacionais, que resultou da queda do reservatório. Com relação ao atraso, o presidente da empresa assumiu o compromisso de que, antes do final do ano, as unidades restantes serão entregues.
Questões obscuras
Na reunião, Cassandra cobrou do presidente da Cohab Helio Vieira Júnior explicações acerca da fiscalização da obra, realizada pela empresa e pela construtora contratada, no processo de execução das fundações, pois o laudo técnico, que avaliou as causas do acidente, apontou uma série de possibilidades, todas decorrentes de falhas na execução das fundações.
A vereadora também questionou a autorização dada por ex-diretor da COHAB, para que a construtora utilizasse estacas com menor seção transversal. Para Cassandra, chama a atenção o fato de que esta substituição foi indicada por consultor, que é irmão do referido diretor, que à época ocupava o cargo.
Outro laudo, que atestou a estabilidade dos prédios do conjunto, baseou-se apenas em observações visu ais dos edifícios. Por este motivo, os vereadores deliberaram solicitar que novo laudo seja elaborado, de forma a inspecionar as fundações dos blocos de apartamentos, afastando-se, assim, a possibilidade de danos futuros e acidentes mais graves.
Para a parlamentar, se um trabalho mais detalhado tivesse sido executado, no processo de investigação das causas do desabamento, talvez muitos recursos pudessem ser economizados, na obra de reforço das fundações, que a construtora vem executando no conjunto.
Além dessas questões, respondidas pelo presidente de forma evaziva, segundo a vereadora, ela destacou ainda, que após o acidente, a COHAB contratou as mesmas empresas, para construir os conjuntos habitacionais Caneleira IV e Tancredo III. Perguntado acerca desta atitude, para espanto dos presentes, o presidente justificou a contratação, afirmando que a lei de licitações o impediu de desclassificá-las.
Esta situação, para Cassandra, é procupante, pois se a COHAB resolver adotar uma postura mais enérgica para com as empresas, estas obras, de grande importância social, poderão sofrer atrasos. Além disso, sempre vai haver insegurança, para os futuros moradores, no tocante à qualidade das construções.
Assessoria de Gabinete
Vereadora Cassandra Maroni Nunes
Vereador Adilson Júnior quer que Cohab realize novo laudo
Já o relator da Comissão Especial de Vereadores (CEV) que trata da habitação em Santos, o vereador Adilson Júnior (PT) solicitou à Companhia de Habitação da Baixada Santista (Cohab Santista) que determina a realização de um novo laudo pericial que apure responsabilidades sobre a caixa d’água que tombou sobre um bloco residencial do conjunto Vila Pelé 2, Bairro Rádio Clube, na Zona Noroeste.
Adilson Júnior alegou que paira suspeição sobre o primeiro laudo contratado pela Cohab, que foi elaborado pela Teste Engenharia, pois a empresa, além de ter atuado no controle do concreto da referida obra, cita em seu próprio site que tem como principais clientes as empreiteiras Terracom e Galvão, que são as responsáveis pela implantação do conjunto.
“O laudo foi feito por uma empresa que atuou na estrutura da obra, o que, no mínimo, é muito estranho”, afirmou o vereador, ao apresentar a sugestão ao presidente da Cohab, engenheiro Hélio Hamilton Vieira Júnior, durante Audiência Pública
Adilson Júnior sugeriu que o novo laudo, além de ser custeado pelo consórcio que construiu o empreendimento, seja contratado ao Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), que possui mais de 100 anos de tradição e é vinculado à Secretaria de Desenvolvimento do Estado de São Paulo.
Outro questionamento apresentado pelo vereador foi sobre outras duas obras habitacionais, também gerenciadas pela Cohab, cujas licitações foram vencidas pelas mesmas empresas, Terracom e Galvão. Adilson Júnior perguntou se, para atender a exigência de experiência na construção de caixas d’água, as referidas empresas citaram a caixa d’água que tombou.
O presidente da Cohab disse não estar lembrado, mas se comprometeu a apresentar à CEV toda a documentação relativa às licitações do conjunto Caneleira IV, em Santos, e do conjunto Tancredo Neves III, em São Vicente.
A CEV da Habitação é formada por Cassandra Maroni Nunes, Adilson Júnior, Marcelo Del Bosco (PPS), Geonísio Pereira Aguiar (PMDB), Antonio Carlos Banha Joaquim (PMDB), Benedito Furtado (PSB) e Roberto Oliveira Teixeira (PMDB).
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